"Ideologia, eu quero uma pra viver"
Todo blog quando criado tem um grande propósito para o autor. O meu baseia-se no amor que sinto pela obstetrícia e na vontade de transformação que vejo sobre minhas mãos e hoje tento moldá-la.
Aqui pretendo fazer um diário das experiências nessa área, bem como ajudar as mulheres no que necessário para desfazer toda esse medo e insegurança que rodeiam seus pensamentos ocasionados pela cultura médica intervencionista e, muitas vezes oportunista, à qual estamos inseridos atualmente.
Irei começar falando o que me fez escolher esse nome para o endereço (A Caverna de Ilítia) e título do blog (Deusas do Parto), depois falarei como cheguei até a Enfermagem, desde a escolha do curso até os dias de hoje.
Como alguns poucos sabem, sou pisciana!! Peixes é, no zodíaco, o signo mais crente e mais curioso.
Primeiro falando da minha curiosidade: nessas minhas andanças e pesquisas sobre vários temas dentro da obstetrícia eis que eu descubro Ilítia (Eileithyia). Ilítia é, na Mitologia Grega, a Deusa do parto e da obstetrícia, equivalente na Mitologia Romana a Lucina.(quase Luciana, coincidência ou pegadinhas do destino?!?! hahahahahaha).
Como todo Deus tem um templo, para Ilitía não foi diferente, e na Ilha de Creta foi encontrada uma caverna sagrada, a Caverna de Ilítia. No interior da caverna foram identificados em cerâmica, mulheres durante o parto, amamentando ou rezando, um altar de pedra, conchas, figuras de animais, ferramentas, estalagmites e estalactites e algumas formações rochosas estranhas, uma destas semelhante a uma figura feminina (Ooooh...Como posso não crer em tudo isso?!).
E foi em meio aos meus pensamentos mais cruzados que me vem a cabeça a comparação com nossa forma atual de parir. À qual o médico se põe como protagonista desse momento tão único para a mulher, roubando dela o direito de ter aquela sensação que será unica e transformadora em sua vida, que é o ato de parir, tão normal e fisiológico como defecar ou urinar (me desculpem a comparação, mas de fato é isso mesmo. Ninguém nos ensina a fazê-las, simplesmente transcorrem, e o mesmo acontece com o parto). Precisamos deixar que as mulheres sejam as Deusas dos seus partos, elas são aos protagonistas. Nós, profissionais, que temos que nos adequar a cada uma delas.
Caminhando: como prometido, falarei como cheguei até hoje até aqui.
Ao sair do ensino médio tinha a convicção de que queria fazer Odontologia, sempre fui apaixonada por sorrisos, acredito que isso me te tal motivação. Mas, ao prestar vestibular, nas faculdades que não tinham Odontologia, me inscrevi em Enfermagem...e foi nela que eu entrei!
Hoje percebo que entrei naquele mundo, meio sem saber o que era tudo aquilo, mas fui caminhando. Nessa caminhada, descobri a obstetrícia, e foi através dela que 'descobri' porque eu estava seguindo aquele caminho. Foi através dela que consegui enxergar na enfermagem o papel que eu queria ter: queria poder ser útil na transformação dessa concepção de mundo egoísta ao qual estamos inseridos.
Através das minhas crenças e ideologias pude perceber que, a história e evolução do parto e forma de parir, mostra ao ser humano o quanto precisamos do outro para seguir em frente. Viemos nos tornando tão individualistas que, essa entidade, energia ou força maior (que alguns chamam de Deus) deu um jeitinho de mostrar que não podemos ser sozinhos! Os fatores que circundam as transformações da forma de parir está intimamente relacionada a evolução da espécie à qual obteve um aumento da circunferência cefálica trazendo assim a necessidade da assistência da mulher por outra mulher. Se antes as mulheres se isolavam para parirem suas crias ( o que até hoje acontece com a maioria dos animais), hoje elas sentem a necessidade de serem amparadas e acolhidas por outras mulheres ou por entes próximos. Foi a partir dessa necessidade de amparo que surgiram as parteiras, as doulas, as obstetrizes, os médicos e enfermeiros obstetras.
Continuando minha caminhada, inicio minha Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica e Neonatologia. Sou Doula na Maternidade José Maria de Magalhães Neto, e estou apaixonada pelo trabalho que é desenvolvido lá! Consigo enxergar o inicio da transformação da cultura do parir, retornando as origens, trazendo para essa mulher o direito ao protagonismo.

Então, assim sinto que posso ajudar, amparar, ensinar, ser melhor com o próximo e amar, num dos eventos mais fascinantes que já conheci, que é o parto, o nascimento de dois indivíduos: o "ser" bebê e o "ser" mãe!! E assim, na minha vida, posso encontrar os SORRISOS mais sinceros!!!


Que lindo,Lu! Parabéns e sucesso!!
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