quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Quebrando mitos! Mais um mito, quem sabe dois!!

Você chega no plantão e lá encontra uma "menina" de 22 anos, com 4 cm de dilatação, chorosa, e sozinha (sua acompanhante - mãe - ainda não tinha chegado)!
Naquele momento, consigo entender a importância do meu trabalho! Não é novidade para ninguém que as mulheres quando grávidas ficam emocionalmente instáveis!
Nesse momento tenho que doar meu empenho em fortalecer essa mulher, física e emocionalmente! E conseguimos, JUNTAS conseguimos!
Mas nesse momento o que quero relatar pra vocês, não é todo meu acolhimento, empenho e técnicas usadas pra ajudar essa "menina", mas sim expor as condições (quadro clínico) as quais ela se encontrava!
Ao 22 anos, na segunda gestação, (1 cesárea), DHEG ("hipertensão gestacional") e bolsa rota há 8 dias (bolsa rota é o que conhecemos popularmente como: "a placenta estourou") e 33 semanas de gestação (bebê prematuro).
Agora imagine-se você, com aquele desejo de ter um parto normal e numa situação dessas? Várias dúvidas, várias inseguranças, incertezas... e aquele seu Obstetra que te disse: "Siiiim, seu parto sera normal...se tudo der certo!"
Tudo o que? Você não sabe!
Mas Luciana, uma hipertensão não é problema? Bolsa rompida há OIIIITOO dias não é problema?
Sim, sim...são problemas, mas problemas controláveis, problemas que demandam uma maior atenção, observação, intervenção e acima de tudo demanda um maior TEMPO de DEDICAÇÃO do seu obstetra. Será que seu obstetra tem esse tempo, ou essa dedicação?? Talvez não, ai vai você para em uma cesárea, uma cirurgia (e seus riscos), uma intervenção desnecessária!
Sabe como acabou essa história?
Essa "menina" nova, fragilizada e desacreditada do seu parto normal (poque na primeira gestação seu médico optou por uma cesariana, com argumentos de que ela não tinha passagem suficiente para o bebê), buscou a sua mais profunda força, colaborou com os exercícios de dilatação da sua pelve, e em menos de 5 horas evoluiu pra dilatação total!!! Seu filhinho quase não espera a médica chegar para ampara-lo! E olha só, prematuro, cheio de vitalidade e pesando 3kg150g.
E mais uma vez, eu, bestificada, cheia de orgulho e derrubando por terra mais tantos mitos e desculpinhas dos nossos queridos obstetras açougueiros!!


Nó do amor! O enlace da vida!

Qual mulher (privada do direito da informação) não se assustaria ao saber que o cordão umbilical do seu bebê tem um nó?
Provavelmente a maioria delas, já que é de conhecimento de todos, que é através desse cordão umbilical que o bebê recebe todo aporte de oxigênio e nutrição necessária para a vida intrauterina.
O cordão tem cerca de 50 cm de comprimento com o qual o bebê brinca, se enrola, estica e se diverte durante toda sua vida intrauterina.
Nó de cordão umbilical, bem como circular de cordão (torácico ou cervical = nos quais o cordão se encontra enrolado no tórax ou pescoço do bebê) são uns dos maiores mitos de indicação de cesariana!
Usados como desculpas para induzir, as mulheres leigas, a se submeterem a uma cirurgia desnecessária (a cesariana).
No primeiro caso: em que há o nó, não há risco algum de compressão das artérias e da veia, visto que o cordão é composto por uma geleia, a chamada Geleia de Wharton que impossibilita a compressão desses vasos fazendo com que esse nó deslize pela extensão do cordão, ao invés de se apertar e se fixar em um determinado local
Sobre o segundo caso, as circulares de cordão....isso é história pro próximo post!
Mas é importante ressaltar, que em ambos os casos NÃO SÃO INDICAÇÕES DE CESÁREA!
Esta foto foi retirada pela colega (Doise) que acompanhou um lindo parto, e ao sair o cordão visualizamos essa perfeição da natureza!!!

Veja como o funciona a Geleia quando temos um nó: Vídeo (nó no cordão umbilical)