terça-feira, 21 de outubro de 2014

Aprendendo a amar!

Aqui estou eu, de frente para meu notebook com a tela em branco aberta a cerca de 10 minutos, pensando em como devo contar minha experiência de hoje!
Sabia que um dia teria que encarar a situação que vivi hoje, só não esperava que fosse logo!
 
Durante o curso de doulas, tivemos uma vivência terapêutica, na qual a psicóloga nos questiona sobre nosso maior medo, de que forma reagiríamos ao encararmos ele.
Eu, sinceramente nunca havia pensado nisso...de que forma eu reagiria? 
Pensei no meu medo, e me veio aquela angústia.
Medo que atormenta a maioria de nós, que enxergamos a magia do parto, que enxergamos o parto como uma porta transformadora, onde nascem famílias, mães, pais e junto com aquela nova vidinha, nascem esperanças!
Hoje, só tenho a agradecer as colegas que vivenciaram, juntamente comigo, esse momento terapêutico, pois hoje ao me deparar com um caso de feto morto (FM), só conseguia pensar nas trocas vividas e tentar me espelhar nisso!
 
Ao chegar na maternidade, lá fui eu ao quadro médico ver como estava a situação do pré-parto nessa tarde, e logo no 1º PPP, leio: FM.
Pensei comigo "Tomara que na passagem do plantão eu não fique com esse caso", eu não sabia se estava preparada para isso, mas as coisas já são predestinadas, e o PPP 1 era meu!
 
Então vamos ao resumo: mulher com 24 anos, escondeu a gestação da família até o quinto mês, surda, muda, com 27 semanas de gestação, deu entrada na maternidade na noite anterior com pressão arterial de 20/14mmHg e sangramento vaginal, ao ser examinada constatou-se a ausência de batimento cardio fetal.
 
Ai você deve estar se perguntando: como estabelecer algum tipo de vínculo com uma pessoa que sequer te compreende e vice-versa?
Eu não saberia responder esse questionamento até ter passado por essa experiência, mas acredito que 
a resposta esta na vontade de querer ajudar aquela pessoa, de querer tentar compreender e  respeitar a dor que ela sentia na alma. E foi assim que eu consegui me comunicar com ela, questiona-la sobre algumas coisas e fazê-la sorrir mesmo diante de uma perda como essa. Pra mim esse foi meu maior troféu.
 
Não tive a oportunidade de ver o final dessa história, que todos nós já sabemos como deve ter sido, mas antes de ir embora pude agradecer, pois através dela eu pude me sentir uma pessoa melhor, agradecer por ela ter (de alguma forma) me tornado mais forte e corajosa, por ter me mostrado que mesmo diante das dificuldades e adversidades conseguimos nos vincular, que mesmo ela sendo uma "estranha" eu queria ajudar, acolher...OU AINDA PIOR: mesmo eu sendo uma "estranha" ela permitiu que eu participasse desse momento tão delicado da vida dela. 
 
 
 
Não sou muito religiosa, mas nem precisamos ser para entendermos que devemos amar ao próximo como a nós mesmos.
E vou me despedindo com o pensamento de que só o amor pode construir, pode agregar valores, o amor ajuda muito mais ao doador do que ao receptor, é um crescimento pessoal!!!!
E é por isso que eu tenho uma tatuagem que diz  "Love is enough", e acredito muito nisso!!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A primeira vez a gente nunca esquece!!

Ainda em estado de êxtase, venho contar a novidade!! Ontem doulei o meu primeiro parto! E, sem exageros, foi SENSACIONAL! Vivi experiências que derrubam, por terra e  baseados em evidências, todas as desculpinhas de profissionais obstetras que realizam cesáreas desnecessárias, satisfazendo apenas seus interesses pessoais.
Ao chegar a maternidade por volta das 7 da manhã,  encontrei Joana (gravida do seu segundo filho) acompanhada do seu esposo, Joaquim, ambos com 21 anos. Ela já em trabalho de parto desde a noite anterior, mas uma menina muito tranquila, que nem das contrações reclamava, ele muito companheiro e preocupado com o bem estar da sua companheira e do seu filho (sim, era um menino) permaneceu ao lado de sua esposa durante todo trabalho de parto. Ela me relatou que seu primeiro parto foi muito tranquilo, pois já foi logo parindo assim que sentiu as dores.
Mas, esse foi diferente, e como já dizia minha vó (as mulheres hoje confirmam): cada parto é diferente do outro, e assim foi!!!
No momento em que comecei a parir com ela (foi um parto para mim também, parecia que eu sentia tudo, não no sentido físico, mas no sentido emocional), tínhamos 3cm de dilatação, fizemos bastante exercícios na tentativa de aumentarmos essa dilatação, e massagens para alívio das dores. Ela sempre muito colaborativa, acreditando, seguindo e confiando em mim!
No segundo toque ela havia aumentado para 5cm e passou para os 7cm rapidamente, evoluindo, obviamente, para contrações mais intensas e intervalos diminuídos entre elas após a administração de ocitocina! Daí em diante foi um trabalho de concentração no ritmo das respirações, força e relaxamento nas horas certas. A maioria das mulheres acham que não vão conseguir, algumas pensam em desistir, mas estamos aqui para isso, pra fazermos elas encontrarem suas forças ocultas... e em menos de meia hora seu filhotinho chegou!! E nasceu às 15:32 mais uma esperança e concretização de humanização, com 3kg e 800g, 51cm, choro forte, indo logo para o colo da mamãe, mostrando que:
SIM, É POSSÍVEL parir com pressão alta
SIM, É POSSÍVEL que todos os cuidados neonatais sejam feitos no colo da mãe;
SIM, É POSSÍVEL uma mãe obesa ter parto natural e SEM EPISIOTOMIA.

Não muito distante daquela sala de parto, tive mais comprovações do quanto meus estudos e convicções estão corretas: uma mulher cega, com válvula cerebral ( o que a impediria de fazer força), mecônio positivo (o bebê fez cocô dentro do útero), circular de cordão, e um lindo parto natural, derrubando mais uma vez as desculpinhas dos obstetras açougueiros !!!
Lembrando mais uma vez que circular de cordão NÃO é indicação de cesárea!!

E assim fui embora radiante, feliz, sorridente e tendo, mais uma vez, a certeza que estou no caminho certo!!

**Os nomes citados são fictícios para preservar a identidade das pessoas.

Qualquer dúvida entrem em contato:
lulybs@hotmail.com
(71)9400-3521
Luciana Barbosa
Doula
Pós-graduanda em Enfermagem Obstétrica e Neonatal