segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Peitões de Mainha

Hoje tenho uma história pra contar, e essa história é minha!!
Quem me conhece, principalmente pessoas da minha família sabem do meu afoitamento com os peitões de Mainha quando eu era pequenina (se é que um dia eu fui...kkkkkk)
Desde muito jovem meus tios, mãe e pai me relatam do meu desespero ao ver minha mãe chegar.
Meu avô paterno me chamava de "Lê de Pê" (algo do tipo que abrevia Lu dos peitos, peitões de mainha)!
Minha mainha já me contou diversas vezes essas histórias, e sempre amo escutar tudo novamente!
O desespero ao ver mainha entrar no carro após um dia de trabalho e sentar na  frente dela pra "mamar os peitões de mainha", no carro mesmo indo pra casa!
Ter no meio da noite pulado por cima de mainha pra alcançar meus peitões e mamaaaaarrr!
Ter deixado de mamar por mainha ter descoberto que Victor (meu irmão) estava chegando, por falta de informação e orientações erradas. (MULHERES GRÁVIDAS PODEM AMAMENTAR)
E o dia que abri o berreiro ao ver pela primeira vez minha mãe amamentar meu irmão e eu morrendo de ciumes!
Mamei até 1 ano 8 meses, mas costumo dizer que minha mãe tivesse sido bem informada era capaz de eu mamar até hoje!
Só pra constar: nunca quebrei um osso (e olha que aprontava demais, tenho diversas cicatrizes de danação), não tenho problemas respiratórios, não tenho nenhum tipo de alergia, mainha relata que pouco fiquei doente na infância e Tia Fátima, que sempre cuidou dos meus dentes, sempre elogiou minha arcada dentária!!
Amo os peitões de mainha e seu cheiro que me faz sentir segura!



Amamente
Amamentar é amor!
Com amor e carinho,



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Quebrando mitos! Mais um mito, quem sabe dois!!

Você chega no plantão e lá encontra uma "menina" de 22 anos, com 4 cm de dilatação, chorosa, e sozinha (sua acompanhante - mãe - ainda não tinha chegado)!
Naquele momento, consigo entender a importância do meu trabalho! Não é novidade para ninguém que as mulheres quando grávidas ficam emocionalmente instáveis!
Nesse momento tenho que doar meu empenho em fortalecer essa mulher, física e emocionalmente! E conseguimos, JUNTAS conseguimos!
Mas nesse momento o que quero relatar pra vocês, não é todo meu acolhimento, empenho e técnicas usadas pra ajudar essa "menina", mas sim expor as condições (quadro clínico) as quais ela se encontrava!
Ao 22 anos, na segunda gestação, (1 cesárea), DHEG ("hipertensão gestacional") e bolsa rota há 8 dias (bolsa rota é o que conhecemos popularmente como: "a placenta estourou") e 33 semanas de gestação (bebê prematuro).
Agora imagine-se você, com aquele desejo de ter um parto normal e numa situação dessas? Várias dúvidas, várias inseguranças, incertezas... e aquele seu Obstetra que te disse: "Siiiim, seu parto sera normal...se tudo der certo!"
Tudo o que? Você não sabe!
Mas Luciana, uma hipertensão não é problema? Bolsa rompida há OIIIITOO dias não é problema?
Sim, sim...são problemas, mas problemas controláveis, problemas que demandam uma maior atenção, observação, intervenção e acima de tudo demanda um maior TEMPO de DEDICAÇÃO do seu obstetra. Será que seu obstetra tem esse tempo, ou essa dedicação?? Talvez não, ai vai você para em uma cesárea, uma cirurgia (e seus riscos), uma intervenção desnecessária!
Sabe como acabou essa história?
Essa "menina" nova, fragilizada e desacreditada do seu parto normal (poque na primeira gestação seu médico optou por uma cesariana, com argumentos de que ela não tinha passagem suficiente para o bebê), buscou a sua mais profunda força, colaborou com os exercícios de dilatação da sua pelve, e em menos de 5 horas evoluiu pra dilatação total!!! Seu filhinho quase não espera a médica chegar para ampara-lo! E olha só, prematuro, cheio de vitalidade e pesando 3kg150g.
E mais uma vez, eu, bestificada, cheia de orgulho e derrubando por terra mais tantos mitos e desculpinhas dos nossos queridos obstetras açougueiros!!


Nó do amor! O enlace da vida!

Qual mulher (privada do direito da informação) não se assustaria ao saber que o cordão umbilical do seu bebê tem um nó?
Provavelmente a maioria delas, já que é de conhecimento de todos, que é através desse cordão umbilical que o bebê recebe todo aporte de oxigênio e nutrição necessária para a vida intrauterina.
O cordão tem cerca de 50 cm de comprimento com o qual o bebê brinca, se enrola, estica e se diverte durante toda sua vida intrauterina.
Nó de cordão umbilical, bem como circular de cordão (torácico ou cervical = nos quais o cordão se encontra enrolado no tórax ou pescoço do bebê) são uns dos maiores mitos de indicação de cesariana!
Usados como desculpas para induzir, as mulheres leigas, a se submeterem a uma cirurgia desnecessária (a cesariana).
No primeiro caso: em que há o nó, não há risco algum de compressão das artérias e da veia, visto que o cordão é composto por uma geleia, a chamada Geleia de Wharton que impossibilita a compressão desses vasos fazendo com que esse nó deslize pela extensão do cordão, ao invés de se apertar e se fixar em um determinado local
Sobre o segundo caso, as circulares de cordão....isso é história pro próximo post!
Mas é importante ressaltar, que em ambos os casos NÃO SÃO INDICAÇÕES DE CESÁREA!
Esta foto foi retirada pela colega (Doise) que acompanhou um lindo parto, e ao sair o cordão visualizamos essa perfeição da natureza!!!

Veja como o funciona a Geleia quando temos um nó: Vídeo (nó no cordão umbilical)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Aprendendo a amar!

Aqui estou eu, de frente para meu notebook com a tela em branco aberta a cerca de 10 minutos, pensando em como devo contar minha experiência de hoje!
Sabia que um dia teria que encarar a situação que vivi hoje, só não esperava que fosse logo!
 
Durante o curso de doulas, tivemos uma vivência terapêutica, na qual a psicóloga nos questiona sobre nosso maior medo, de que forma reagiríamos ao encararmos ele.
Eu, sinceramente nunca havia pensado nisso...de que forma eu reagiria? 
Pensei no meu medo, e me veio aquela angústia.
Medo que atormenta a maioria de nós, que enxergamos a magia do parto, que enxergamos o parto como uma porta transformadora, onde nascem famílias, mães, pais e junto com aquela nova vidinha, nascem esperanças!
Hoje, só tenho a agradecer as colegas que vivenciaram, juntamente comigo, esse momento terapêutico, pois hoje ao me deparar com um caso de feto morto (FM), só conseguia pensar nas trocas vividas e tentar me espelhar nisso!
 
Ao chegar na maternidade, lá fui eu ao quadro médico ver como estava a situação do pré-parto nessa tarde, e logo no 1º PPP, leio: FM.
Pensei comigo "Tomara que na passagem do plantão eu não fique com esse caso", eu não sabia se estava preparada para isso, mas as coisas já são predestinadas, e o PPP 1 era meu!
 
Então vamos ao resumo: mulher com 24 anos, escondeu a gestação da família até o quinto mês, surda, muda, com 27 semanas de gestação, deu entrada na maternidade na noite anterior com pressão arterial de 20/14mmHg e sangramento vaginal, ao ser examinada constatou-se a ausência de batimento cardio fetal.
 
Ai você deve estar se perguntando: como estabelecer algum tipo de vínculo com uma pessoa que sequer te compreende e vice-versa?
Eu não saberia responder esse questionamento até ter passado por essa experiência, mas acredito que 
a resposta esta na vontade de querer ajudar aquela pessoa, de querer tentar compreender e  respeitar a dor que ela sentia na alma. E foi assim que eu consegui me comunicar com ela, questiona-la sobre algumas coisas e fazê-la sorrir mesmo diante de uma perda como essa. Pra mim esse foi meu maior troféu.
 
Não tive a oportunidade de ver o final dessa história, que todos nós já sabemos como deve ter sido, mas antes de ir embora pude agradecer, pois através dela eu pude me sentir uma pessoa melhor, agradecer por ela ter (de alguma forma) me tornado mais forte e corajosa, por ter me mostrado que mesmo diante das dificuldades e adversidades conseguimos nos vincular, que mesmo ela sendo uma "estranha" eu queria ajudar, acolher...OU AINDA PIOR: mesmo eu sendo uma "estranha" ela permitiu que eu participasse desse momento tão delicado da vida dela. 
 
 
 
Não sou muito religiosa, mas nem precisamos ser para entendermos que devemos amar ao próximo como a nós mesmos.
E vou me despedindo com o pensamento de que só o amor pode construir, pode agregar valores, o amor ajuda muito mais ao doador do que ao receptor, é um crescimento pessoal!!!!
E é por isso que eu tenho uma tatuagem que diz  "Love is enough", e acredito muito nisso!!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A primeira vez a gente nunca esquece!!

Ainda em estado de êxtase, venho contar a novidade!! Ontem doulei o meu primeiro parto! E, sem exageros, foi SENSACIONAL! Vivi experiências que derrubam, por terra e  baseados em evidências, todas as desculpinhas de profissionais obstetras que realizam cesáreas desnecessárias, satisfazendo apenas seus interesses pessoais.
Ao chegar a maternidade por volta das 7 da manhã,  encontrei Joana (gravida do seu segundo filho) acompanhada do seu esposo, Joaquim, ambos com 21 anos. Ela já em trabalho de parto desde a noite anterior, mas uma menina muito tranquila, que nem das contrações reclamava, ele muito companheiro e preocupado com o bem estar da sua companheira e do seu filho (sim, era um menino) permaneceu ao lado de sua esposa durante todo trabalho de parto. Ela me relatou que seu primeiro parto foi muito tranquilo, pois já foi logo parindo assim que sentiu as dores.
Mas, esse foi diferente, e como já dizia minha vó (as mulheres hoje confirmam): cada parto é diferente do outro, e assim foi!!!
No momento em que comecei a parir com ela (foi um parto para mim também, parecia que eu sentia tudo, não no sentido físico, mas no sentido emocional), tínhamos 3cm de dilatação, fizemos bastante exercícios na tentativa de aumentarmos essa dilatação, e massagens para alívio das dores. Ela sempre muito colaborativa, acreditando, seguindo e confiando em mim!
No segundo toque ela havia aumentado para 5cm e passou para os 7cm rapidamente, evoluindo, obviamente, para contrações mais intensas e intervalos diminuídos entre elas após a administração de ocitocina! Daí em diante foi um trabalho de concentração no ritmo das respirações, força e relaxamento nas horas certas. A maioria das mulheres acham que não vão conseguir, algumas pensam em desistir, mas estamos aqui para isso, pra fazermos elas encontrarem suas forças ocultas... e em menos de meia hora seu filhotinho chegou!! E nasceu às 15:32 mais uma esperança e concretização de humanização, com 3kg e 800g, 51cm, choro forte, indo logo para o colo da mamãe, mostrando que:
SIM, É POSSÍVEL parir com pressão alta
SIM, É POSSÍVEL que todos os cuidados neonatais sejam feitos no colo da mãe;
SIM, É POSSÍVEL uma mãe obesa ter parto natural e SEM EPISIOTOMIA.

Não muito distante daquela sala de parto, tive mais comprovações do quanto meus estudos e convicções estão corretas: uma mulher cega, com válvula cerebral ( o que a impediria de fazer força), mecônio positivo (o bebê fez cocô dentro do útero), circular de cordão, e um lindo parto natural, derrubando mais uma vez as desculpinhas dos obstetras açougueiros !!!
Lembrando mais uma vez que circular de cordão NÃO é indicação de cesárea!!

E assim fui embora radiante, feliz, sorridente e tendo, mais uma vez, a certeza que estou no caminho certo!!

**Os nomes citados são fictícios para preservar a identidade das pessoas.

Qualquer dúvida entrem em contato:
lulybs@hotmail.com
(71)9400-3521
Luciana Barbosa
Doula
Pós-graduanda em Enfermagem Obstétrica e Neonatal

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"Ideologia, eu quero uma pra viver"

Todo blog quando criado tem um grande propósito para o autor. O meu baseia-se no amor que sinto pela obstetrícia e na vontade de transformação que vejo sobre minhas mãos e hoje tento moldá-la.
Aqui pretendo fazer um diário das experiências nessa área, bem como ajudar as mulheres no que necessário para desfazer toda esse medo e insegurança que rodeiam seus pensamentos ocasionados pela cultura médica intervencionista e, muitas vezes oportunista, à qual estamos inseridos atualmente.

Irei começar falando  o que me fez escolher esse nome para o endereço (A Caverna de Ilítia) e título do blog (Deusas do Parto), depois falarei como cheguei até a  Enfermagem, desde a escolha do curso até os dias de hoje.


Como alguns poucos sabem, sou pisciana!! Peixes é, no zodíaco, o signo mais crente e mais curioso. 
Primeiro falando da minha curiosidade: nessas minhas andanças e pesquisas sobre vários temas dentro da obstetrícia eis que eu descubro Ilítia (Eileithyia). Ilítia é, na Mitologia Grega, a Deusa do parto e da obstetrícia, equivalente na Mitologia Romana a Lucina.(quase Luciana, coincidência ou pegadinhas do destino?!?! hahahahahaha)
Como todo Deus tem um templo, para Ilitía não foi diferente, e na Ilha de Creta foi encontrada uma caverna sagrada, a Caverna de Ilítia. No interior da caverna foram identificados em cerâmica, mulheres durante o parto, amamentando ou rezando, um altar de pedra, conchas, figuras de animais, ferramentas, estalagmites e estalactites e algumas formações rochosas estranhas, uma destas semelhante a uma figura feminina (Ooooh...Como posso não crer em tudo isso?!).



E foi em meio aos meus pensamentos mais cruzados que me vem a cabeça a comparação com nossa forma atual de parir. À qual o médico se põe como protagonista desse momento tão único para a mulher, roubando dela o direito de ter aquela sensação que será unica e transformadora em sua vida, que é o ato de parir, tão normal e fisiológico como defecar ou urinar (me desculpem a comparação, mas de fato é isso mesmo. Ninguém nos ensina a fazê-las, simplesmente transcorrem, e o mesmo acontece com o parto). Precisamos deixar que as mulheres sejam as Deusas dos seus partos, elas são aos protagonistas. Nós, profissionais, que temos que nos adequar a cada uma delas.

Caminhando: como prometido, falarei como cheguei até hoje até aqui.
Ao sair do ensino médio tinha a convicção de que queria fazer Odontologia, sempre fui apaixonada por sorrisos, acredito que isso me te tal motivação. Mas, ao prestar vestibular, nas faculdades que não tinham Odontologia, me inscrevi em Enfermagem...e foi nela que eu entrei!
Hoje percebo que entrei naquele mundo, meio sem saber o que era tudo aquilo, mas fui caminhando. Nessa caminhada, descobri a obstetrícia, e foi através dela que 'descobri' porque eu estava seguindo aquele caminho. Foi através dela que consegui enxergar na enfermagem o papel que eu queria ter: queria poder ser útil na transformação dessa concepção de mundo egoísta ao qual estamos inseridos. 
Através das minhas crenças e ideologias pude perceber que, a história e evolução do parto e forma de parir, mostra ao ser humano o quanto precisamos do outro para seguir em frente. Viemos nos tornando tão individualistas que, essa entidade, energia ou força maior (que alguns chamam de Deus) deu um jeitinho de mostrar que não podemos ser sozinhos! Os fatores que circundam as transformações da forma de parir está intimamente relacionada a evolução da espécie à qual obteve um aumento da circunferência cefálica trazendo assim a necessidade da assistência da mulher por outra mulher. Se antes as mulheres se isolavam para parirem suas crias ( o que até hoje acontece com a maioria dos animais), hoje elas sentem a necessidade de serem amparadas e acolhidas por outras mulheres ou por entes próximos. Foi a partir dessa necessidade de amparo que surgiram as parteiras, as doulas, as obstetrizes, os médicos e enfermeiros obstetras.
Continuando minha caminhada, inicio minha Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica e Neonatologia. Sou Doula na Maternidade José Maria de Magalhães Neto, e estou apaixonada pelo trabalho que é desenvolvido lá! Consigo enxergar o inicio da transformação da cultura do parir, retornando as origens, trazendo  para essa mulher o direito ao protagonismo.

 Então, assim sinto que posso ajudar, amparar, ensinar, ser melhor com o próximo e amar, num dos eventos mais fascinantes que já conheci, que é o parto, o nascimento de dois indivíduos: o "ser" bebê e o "ser" mãe!! E assim, na minha vida, posso encontrar os SORRISOS mais sinceros!!!